quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Capítulo I - Mantendo-se ocupada - 2/4

Abigail seguiu com passos arrastados até a enorme mesa, que ocupava canto a canto da sala, sentou-se em uma das poltronas e começou a degustar a imensa variedade de alimentos que o lacaio preparara para ela. Venta de Bolacha, quer dizer, Pitolomeu dividia as tarefas diárias para amanhã, o dia do baile em homenagem ao aniversário da Princesa Abigail, mas esta não estava nada empolgada com a notícia dada por sua mãe em uma carta vinda do Reino Sugoi, pois a última coisa que queria no momento era comemorar o seu aniversário.
- Eu não quero baile... - Ela resmungou para Pitolomeu, ranzinza como sempre, observando sem emoção os servos trocarem as cortinas e a tapeçaria do castelo, mas o lacaio fingiu não ouvir. - Ninguém me da ATENÇÃO! - A princesa rolou os olhos e deixou a mesa, estava aborrecida, o tédio consumira extremamente todo o seu doce ser, preferiu ir dormir, afinal, não havia nada melhor para fazer.
Na manhã seguinte, antes que os primeiros raios de sol adentrassem pelas frestas das cortinas novas, Pitolomeu estava de pé e corria como um louco, consertando os erros que os servos causaram durante a noite, tudo devia estar intacto, impecável, para mais tarde. O lacaio adentrou o quarto da princesa às pressas, abriu as janelas e puxou o lençol que a cobria.
- Que inferno! Eu quero dormir, sai daqui! - Ela berrou, os cabelos assanhados presos com grampos e a baba escorrendo pelo canto da boca.
- Você precisa cuidar da sua aparência para o baile. - O lacaio retorquiu, mas com certa cautela, não queria ganhar uma queimadura no braço direito para combinar com o esquerdo.
Abigail levantou-se indignada, pegou a sua prancha alisadora, mas ao invés de queimar o lacaio, queimou os próprios cabelos em uma tentativa frustrada de fazê-los abaixar.
A notícia sobre o baile espalhou-se rapidamente entre os camponeses do Reino Encantado Kawaii, enquanto todos estavam eufóricos, enlouquecidos em busca de um convite para ir ao aniversário, a Princesa Abigail aterrorizava as criancinhas, correndo atrás delas e ameaçando jogá-las no poço onde viviam os seus jacarés de estimação. Mas, apesar do entretimento com as crianças algo chamou a sua atenção, uma voz serenamente irritante soava, saindo do salão do castelo, a Princesa correu até lá e viu um homem, realmente, estranho.
- Quem é você, taquara Rachada? Quer dizer... Quem é você, moço? - Ela perguntou, um sorriso doce formou-se em sua face, mas os pensamentos malignos não haviam ido embora.

CONTINUA...

4 comentários:

  1. Hilario, interessante, gostei!

    http://cemiteriodaspalavrasperdidas.blogspot.com/2010/01/sua-vida-sem-voce.html

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  2. pelo jeito a princesa Abgail é má, espero que ela mude até o final da estória.

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